Resumo
O cobre não ligado à ceruloplasmina (cobre “livre”) circula frouxamente ligado à albumina e aminoácidos de baixo peso molecular. Esta fração atravessa a barreira hematoencefálica com maior facilidade que o cobre ligado à ceruloplasmina e catalisa a reação de Fenton: Cu⁺ + H₂O₂ → Cu²⁺ + OH⁻ + OH•. O radical hidroxila resultante é uma das espécies reativas de oxigênio mais destrutivas.
Mecanismo
No SNC, onde o consumo de oxigênio é desproporcionalmente alto e a capacidade antioxidante limitada, o cobre livre causa dano neuronal preferencial via:
- Peroxidação lipídica de membranas sinápticas
- Dano ao DNA mitocondrial
- Oxidação de proteínas sinápticas
A ceruloplasmina é o principal fator de contenção: transporta >90% do cobre circulante. Quando a holoceruloplasmina é deficiente, a fração livre aumenta proporcionalmente.
Evidência
Meta-análise de Squitti et al. (2014, PMID 24072069, n=599 pacientes com Alzheimer e 867 controles) demonstrou que cobre não ligado à ceruloplasmina está significativamente elevado em pacientes com doença de Alzheimer. Coorte prospectiva (Squitti et al., 2014, PMID 24623259) mostrou que cobre livre elevado em pacientes com comprometimento cognitivo leve prediz conversão para Alzheimer — identificando um “subtipo de cobre” da doença.
Translação
Nenhum item de translação identificado.
Questões Abertas
- Existe um “subtipo de cobre” nos transtornos psiquiátricos, análogo ao descrito na doença de Alzheimer?
- Quais são os limiares exatos de cobre livre para neurotoxicidade clínica em diferentes faixas etárias?