Padrão
Paciente masculino, 24 anos, com histórico psiquiátrico complexo (TDAH + borderline revisado para bipolar + tentativa de suicídio grave por polintoxicação). Ceruloplasmina persistentemente baixa (16 → 14 mg/dL, caindo), WGS negativo para ATP7A e ATP7B.
Médico anterior prescreveu 9 fórmulas incluindo cobre 1mg/dia como parte de complexo mineral. Quando as outras fórmulas acabaram, paciente manteve APENAS o cobre avulso. Resultado: cobre suplementado sem contexto protetor (zinco, NAC, selênio cessaram).
Mecanismo do dano
Sem ceruloplasmina suficiente para ligar o cobre exógeno, ele vai para a fração livre. Cobre livre é pró-oxidante potente (reação de Fenton: Cu+ + H₂O₂ → Cu²+ + OH· + OH⁻). A vitamina C da prescrição (2.000 mg/dia) funciona como PRÓ-oxidante na presença de cobre livre alto, gerando mais radicais.
Mineralograma como revelação
Mineralograma PUC-Rio (23/03/2026): selênio 0,1 (8x abaixo!), lítio 0,04 (2x elevado — sequela de intoxicação por lítio em 2022?), bismuto 0,10 (3,3x elevado), depleção mineral generalizada.
Testosterona paradoxalmente alta
Testosterona total 1.080-1.230 ng/dL (muito acima do normal para 24 anos), com prescrição anterior de Testoactive + Urtica dioica (boosters de testosterona). A 17-OHP elevada (325, +58%) levanta questão de hiperplasia adrenal congênita não-clássica vs supressão parcial do eixo.
Conduta
- SUSPENDER cobre imediatamente
- Restaurar protetores: NAC 1.200mg/dia, selenometionina 200µg, taurina, magnésio
- Quetiapina 12,5-25mg para estabilização de humor sem risco de interações graves
- Investigar: causa da ceruloplasmina baixa com genética negativa (aceruloplasminemia? deficiência adquirida?)
Lição
Nunca suplementar cobre isoladamente em paciente com ceruloplasmina baixa. Sempre no contexto de zinco + selênio + NAC. E nunca combinar vitamina C em altas doses com cobre livre elevado.
Translação
Nenhum item de translação identificado.