Padrão

Paciente masculino, vegetariano, com ceruloplasmina 18,49 mg/dL (~50% do normal, ref 20-60) e cobre sérico 60,9 mcg/dL (baixo). Reflexo imediato: “deficiência de cobre — suplementar”. Mas o hemograma mostra neutrófilos normais (3.321/mm³), que é o marcador mais sensível de deficiência clínica de cobre. Cobre livre calculado = 2,7 mcg/dL (normal).

O diagnóstico correto: heterozigose ATP7B (carrier de doença de Wilson).

Como diferenciar

AchadoDeficiência de CuCarrier ATP7B
CeruloplasminaBaixa~50% normal
Cobre séricoBaixoBaixo (artefato da Cp baixa)
Cobre livreNormal ou baixoNormal
NeutrófilosBaixosNormais
Cobre urinárioNormalNormal
ZincoElevado (competição)Normal ou baixo

A chave é o cobre livre e os neutrófilos. Se ambos normais, não é deficiência real de cobre — é ceruloplasmina constitutivamente baixa por heterozigose no gene ATP7B.

Armadilha clínica

Suplementar cobre num carrier ATP7B é potencialmente perigoso: sem ceruloplasmina suficiente para ligar o cobre extra, ele vai para a fração livre (tóxica). A conduta correta é NÃO suplementar e solicitar sequenciamento ATP7B para confirmar.

Implicações

  • Prevalência de carriers: ~1:90 na população geral
  • Importante para planejamento familiar (risco de 25% se parceiro também carrier)
  • O caso reforça que “valor baixo” não significa automaticamente “suplementar”

Translação

Nenhum item de translação identificado.


Notas Relacionadas