Padrão

Paciente feminina pós-exenteração pélvica por recidiva de câncer cervical (quimio + radio + braqui + cirurgia). Peso habitual 65 kg → atual 55 kg = perda de 10 kg (15,4%). IMC atual 19,7 (limite inferior). Anorexia significativa. 35 dias de pós-operatório.

Hemograma confirma: Hb 8,8 (anemia moderada), RDW 22,4% (anisocitose intensa), linfócitos 890/mm³ (linfopenia), plaquetas 487.000 (trombocitose reativa).

Por que priorizar

Perda >10% do peso em contexto oncológico = limiar para pré-caquexia. Caquexia é responsável por ~20% das mortes por câncer, e uma vez instalada é parcialmente irreversível. A janela de intervenção é AGORA.

Conduta funcional em contexto oncológico

  1. Proteína: mínimo 1,2-1,5 g/kg/dia (66-82g/dia para 55kg)
  2. Fracionar: 6 pequenas refeições (contorna a anorexia)
  3. Densidade calórica: azeite, castanhas, abacate em cada refeição
  4. Suplementação cautelosa: Ômega-3, magnésio, taurina, vitamina D+K2. Evitar antioxidantes que possam interferir com vigilância imunológica antitumoral
  5. Encaminhar para nutricionista oncológico: especialização é necessária

Armadilha

Paciente pós-oncológica motivada para “estilo de vida saudável” pode adotar restrições alimentares (cetogênica, jejum) que no contexto de pré-caquexia são perigosas. O objetivo aqui é GANHAR peso, não restringir.

Linfopenia persistente

890/mm³ (ref 1097-2980) pós-quimio/radio = imunossupressão. Coordenar com equipe oncológica antes de qualquer suplementação imunoestimulante (cogumelos medicinais, beta-glucana etc.).

Translação

Nenhum item de translação identificado.


Notas Relacionadas