Resumo
A meta-análise de Wolraich et al. (1995, JAMA, 23 estudos double-blind) encontrou efeito zero do açúcar sobre comportamento e cognição em todas as 14 medidas avaliadas. O mito persiste por viés de expectativa parental.
Mecanismo
Hoover e Milich (1994): 35 meninos receberam placebo. Mães informadas que o filho ingeriu açúcar classificaram-nos como mais hiperativos e exerceram mais controle físico. O açúcar não estava no corpo da criança; estava na mente da mãe. O contexto confundidor real: crianças que comem muito açúcar estão em festas (excitação), comendo ultraprocessados com corantes (que TÊM efeito), dormindo tarde e sem rotina.
Evidência
- Wolraich et al. (1995): meta-análise 23 RCTs, efeito = 0.
- Hoover e Milich (1994): RCT de expectativa parental.
- Farsad-Naeimi et al. (2020): associação observacional positiva (OR 1,22), mas I²=81,9% e confundidores não controlados.
Translação
Nenhum item de translação identificado.
Questões abertas
- Por que o mito persiste 50 anos após refutação? Modelos de persistência de crenças populares em saúde.
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