Resumo
Antioxidantes exógenos como CoQ10 e MitoQ reduzem dano oxidativo mensuravelmente, mas não melhoram performance em indivíduos saudáveis. Podem até atenuar adaptações ao exercício ao bloquear sinalização hormética por ROS.
Evidência
- CoQ10: Meta-análise de Deng et al. (2025, 24 estudos): aumenta consistentemente níveis sanguíneos de CoQ10, mas efeitos sobre performance de exercício são pequenos e inconsistentes.
- MitoQ: Meta-análise de Gonzalo-Skok e Casuso (2024, 8 estudos, n=188): redução de dano oxidativo (SMD=-1,33; IC 95%: -2,24 a -0,43), sem melhora de performance em saudáveis. Benefício potencial em doença arterial periférica.
- CoQ10 em esclerose múltipla: Salekzamani et al. (2024, 6 estudos, n=195): dose de 500 mg/dia necessária para efeitos clínicos; 200 mg/dia controverso.
Translação
Nenhum item de translação identificado.
Mecanismo (hormese mitocondrial)
ROS gerados pelo exercício atuam como sinalizadores para biogênese via PGC-1alpha. A janela de sinalização é limitada (horas pós-exercício). Antioxidantes exógenos podem interceptar esse sinal, atenuando adaptações. Em populações com estresse oxidativo patológico crônico (doença renal, esclerose múltipla), a suplementação tem indicação. A astaxantina pode ser exceção por promover biogênese via AMPK além de sua ação antioxidante (Siqueira et al., 2025).
Questões abertas
- Hipótese de hormese temporal: antioxidantes peri-treino prejudicam, mas em dias de descanso são neutros ou benéficos?
- Existe janela de timing para suplementação que preserve sinalização adaptativa?
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