Resumo
O lítio apresenta efeito bifásico sobre o tecido neural: neuroprotetor em doses terapêuticas (via inibição de GSK-3β → Wnt/β-catenina → BDNF) e neurotóxico em intoxicação ou uso prolongado inadequado (SILENT syndrome). A premissa “lítio é neuroprotetor” é verdadeira mas incompleta.
Evidência pro-neuroproteção (Nível I)
- Hajek et al. (2012, meta-análise): associação positiva lítio-volume de substância cinzenta cortical
- Lyoo et al. (2010, RCT, PMC3055479): aumento de espessura cortical e volume hipocampal
Evidência pro-neurotoxicidade
- SILENT (Syndrome of Irreversible Lithium-Effectuated Neurotoxicity): scoping review 2024 (Hassel et al., PMC11117426, 117 casos) — disfunção cerebelar persistente 77%, cognitiva, parkinsonismo
- Antipsicóticos concomitantes em 59% dos casos de SILENT
- Aprahamian et al. (2014, PMC4275736): atrofia cortical temporoparietal bilateral com lítio crônico, melhora após suspensão
Reconciliação
O padrão SILENT é predominantemente cerebelar (77%). Atrofia frontal/temporal difusa (como no caso índice) sugere que o lítio não é causa única — provavelmente amplificador sobre vulnerabilidade pré-existente.
Translação
Nenhum item de translação identificado.
Questões Abertas
- Qual é a fração de pacientes em uso crônico de lítio com atrofia cortical subclínica?