Resumo

A autofagia tem papel dual no câncer. Em células normais e tumorigênese inicial, funciona como supressor tumoral (clearance de proteínas agregadas e mitocôndrias disfuncionais). Em cânceres estabelecidos, assume papel promotor tumoral.

Mecanismo

Fase supressora: Autofagia mantém estabilidade genômica removendo organelas danificadas e prevenindo acúmulo de ROS. Camundongos com deleção heterozigótica de Beclin-1 desenvolvem tumores espontâneos.

Fase promotora: Em cânceres avançados, células tumorais em ambiente hipóxico exploram autofagia para:

  • Sobreviver em privação nutricional (fornece aminoácidos e lipídeos)
  • Conferir resistência a quimio e radioterapia
  • Facilitar metástase (mantém células tumorais circulantes em estado dormente)
  • Evadir sistema imune

Implicação

O jejum induz autofagia. Se o tumor avançado já usa autofagia como mecanismo de sobrevivência, o jejum pode paradoxalmente beneficiar o câncer. Inibidores de autofagia (cloroquina, hidroxicloroquina) estão em ensaios clínicos como adjuvantes a quimioterapia, seguindo lógica oposta.

Hipótese original: A janela terapêutica do jejum depende do status autofágico basal do tumor. Tumores com alta atividade autofágica (identificáveis por LC3-II, Beclin-1, p62 em biópsias) podem ser prejudicados pelo jejum. O status de p53 e APC influencia essa transição.

Translação

Nenhum item de translação identificado.

Questões abertas

Em qual momento da história natural do câncer a autofagia transita de supressora para promotora? Existe “interruptor” molecular identificável?


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