Resumo

Água quente (60°C) reduz o trânsito esofágico de 48,5 para 27,8 segundos (p<0,001), diminui amplitude de contração e duração. Em pacientes com acalásia, reduz pressão do esfíncter esofágico inferior. Água fria (2°C) tem efeito oposto. O mecanismo envolve canais TRPV1 (calor) e TRPM8 (frio) na mucosa esofágica.

Evidência

  • Triadafilopoulos et al. (1998, J Clin Gastroenterol, n=48): trânsito 48,5→27,8s, amplitude 188→125 mmHg, duração 11,8→5,7s. 58% mantiveram hábito por melhora >50%
  • Ren et al. (2012, J Neurogastroenterol Motil, n=12): em acalásia, água quente (50°C) reduziu pressão de repouso do EEI (p=0,008), pressão residual (p=0,002)
  • Elvevi et al. (2014, n=45): pacientes com acalásia NÃO apresentam inibição motora reflexa ao frio (possível valor diagnóstico)
  • Fujihira et al. (2019, Eur J Nutr, n=11): água a 60°C aumentou contrações gástricas vs 2°C (p<0,001)

Translação

Nenhum item de translação identificado.

Mecanismo

Canais TRPV1 (calor, >43°C) e TRPM8 (frio, <25°C) na mucosa esofágica ativam reflexos neurais entéricos. Calor relaxa e acelera; frio contrai e retarda. A ausência do reflexo ao frio em acalásia sugere que esses canais são parte de um sistema regulatório complexo.

Questões abertas

  • Existe dose-resposta linear entre temperatura e efeito na motilidade esofágica?
  • Água morna (37-50°C) tem efeito intermediário ou é subthreshold?

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